A Executiva estadual do PT na Paraíba deixou de lado qualquer análise ideológica, conteúdo programático e alinhamento com as bandeiras históricas defendidas pelo partido; e abraçou o pragmatismo. Isso ao levar ao palanque na convenção da legenda, nesta quinta-feira (30), o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley, pré-candidato do Republicanos ao Senado.
O Republicanos, partido de Nabor, tem a maior parte de sua base alinhada ao bolsonarismo e costuma se autodeclarar o partido “mais conservador do Brasil”.
Somente isso já seria suficiente para constatar a distância entre o seu projeto de chegar ao Senado e a história do PT paraibano. Nabor é ‘apadrinhado’ pelo filho, Hugo Motta (Rep), que vez por outra costuma entrar em rota de colisão com o Governo petista no Congresso.
Mas o contexto em que essa participação ocorreu aprofunda ainda mais esse fosso.
É que a maior parte da militância do PT tem declarado apoio ao senador Veneziano Vital (MDB) e ao ex-governador João Azevêdo (PSB), aliados históricos de Lula (PT). E o próprio presidente já declarou apoio aos dois para o Senado.
Ainda assim, sob a justificativa de não desagradar Hugo Motta, o partido estendeu o tapete ao ex-prefeito – causando confusão e ambiguidade no posicionamento para a disputa senatorial.
O efeito disso foi que Nabor foi vaiado durante o seu discurso no evento e causou desconfortos na militância, que esperava uma demonstração inequívoca de apoio ao governador Lucas e aos projetos de Veneziano e João para o Senado.
A ata da convenção, aliás, ainda não foi divulgada.
Ao que tudo indica nela estará a formalização dos apoios a Lucas, João e Veneziano; mas não constará a posição incongruente de uma direção estadual que, em nome do pragmatismo, aceitou dar palanque a alguém que se eleito dificilmente defenderá bandeiras petistas no Congresso Nacional. Deve seguir, claro, o partido no qual está filiado: o mais “conservador do Brasil”.
