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Paraíba tem desemprego em mínima histórica, mas 46% dos ocupados estão na informalidade

Paraíba tem 8ª maior taxa de informalidade entre todos os estrados do país. (Foto: PMJP/Divulgação)

A Paraíba fechou o primeiro trimestre de 2026 com a taxa de desocupação de 7%, a menor em 14 anos. Mas o dado que parece uma boa notícia esconde uma realidade incômoda: 46% dos trabalhadores ocupados do estado estão na informalidade. Isso é quase metade da força de trabalho, o que coloca o estado na 8ª posição no país no ranking da informalidade e em 6º no Nordeste. São cerca de 825 mil paraibanos atuando sem carteira assinada, sem CNPJ, sem contribuição previdenciária, sem 13º salário, sem férias, sem seguro-desemprego ou auxílio-doença. Estão ocupados, mas completamente fora do circuito de proteção trabalhista. E mais grave: esse contingente não se reduz. Um estudo da FGV/IBRE com dados da PNAD Contínua/IBGE revela que o Brasil tem 10 milhões de trabalhadores no chamado “núcleo duro” da informalidade. São trabalhadores que ganham abaixo da média dos próprios informais, não contribuem para a Previdência e estão há menos de dois anos na mesma ocupação. Esse número está estável há cinco anos.

Ranking da Informalidade no Brasil

1º Maranhão – 57,6%

2º Pará – 56,5%

3º Amazonas – 53,2%

4º Bahia – 50,6%

5º Piauí – 50,2%

6º Ceará – 49,4%

7º Sergipe – 46,9%

8º Paraíba – 46,0%

9º Pernambuco – 45,6%

10º Acre – 43,7%

11º Amapá – 42,7%

12º Alagoas – 42,6%

13º Roraima – 42,2%

14º Rio Grande do Norte – 41,5%

15º Rondônia – 41,3%

16º Espírito Santo – 38,6%

17º Tocantins – 38,5%

18º Rio de Janeiro – 37,5%

19º Minas Gerais – 35,8%

20º Mato Grosso – 34,2%

21º Goiás – 34,2%

22º Paraná – 30,8%

23º Rio Grande do Sul – 30,2%

24º São Paulo – 30,0%

25º Mato Grosso do Sul – 29,8%

26º Distrito Federal – 28,1%

27º Santa Catarina – 25,4%

Fonte: IBGE/PNAD

O paradoxo paraibano

Como um estado pode ter desocupação recorde e informalidade tão alta? A resposta é simples: as duas taxas medem coisas diferentes. A taxa de desocupação (7,0%) mede quem não trabalha e está procurando. A taxa de informalidade (46%) mede a qualidade do trabalho de quem está ocupado. Traduzindo: de cada 100 pessoas na força de trabalho da Paraíba, sete estão desempregadas, 50 estão em trabalho formal e 43 estão em trabalho informal (sem proteção de direitos).

O mercado de trabalho está aquecido, mas precário. A economia absorve trabalhadores em ocupações de baixa produtividade: ambulantes, diaristas sem carteira, serviços domésticos sem registro e trabalhadores que fazem bico para sobreviver. O economista e presidente do Conselho Regional de Economia da Paraíba, Werton Oliveira, enumera algumas das principais causas do trabalho informal. “A questão das dificuldades estruturais do país geram esse tipo de informalidade, porque, por exemplo, a gente vive períodos que oscilam demais, de baixo crescimento. Temos uma força de trabalho que, na sua maioria, é de baixa qualificação. A gente tem um excesso de burocracia por parte do Estado, com questão de taxas, impostos que dificultam o acesso das pessoas a formalizar o seu negócio”, afirma o presidente do Corecon.

O rombo silencioso

Segundo os especialistas, a informalidade em 46% não é só um problema social. Acaba gerando um rombo estrutural na economia, pois o trabalhador não recolhe INSS, não paga Imposto de Renda, não gera FGTS. É arrecadação que deixa de acontecer. Mas o Estado continua tendo que arcar com saúde, educação e segurança para essa mesma pessoa. Quando ficar idoso ou doente, pode precisar do BPC/LOAS, benefício assistencial, mesmo sem ter contribuído ou recolhido pouco imposto durante a vida produtiva. Sem carteira assinada, sem contracheque, sem declaração de IR, o acesso ao crédito formal é praticamente zero. Menos consumo financiado, menos imóveis, menos carros, menos investimento em educação e saúde.

Werton Oliveira afirma que “a informalidade não é apenas um problema trabalhista. Ela vai muito além. Ela é um obstáculo ao desenvolvimento econômico, porque quanto maior a informalidade, menor a produtividade, menor a arrecadação, menor a capacidade de um estado gerar oportunidade de renda e crescimento sustentável para a população em si, não só para aquele grupo de pessoas que vive na informalidade”.

O que está em jogo

A redução do desemprego não significa, necessariamente, maior proteção trabalhista. O desafio vai além da geração de vagas: passa pela criação de condições que permitam a formalização, o acesso a direitos trabalhistas e previdenciários e a redução da vulnerabilidade de milhões de brasileiros que seguem à margem das relações formais de emprego. Enquanto a informalidade continuar sendo a “solução” para quem não encontra vaga formal, o Brasil e a Paraíba vão continuar gerando ocupação, mas gerando pouca cidadania.

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