Um pastor evangélico denunciou ter sido vítima de intolerância religiosa durante uma abordagem da Polícia Militar, em Cajazeiras, no Sertão da Paraíba. De acordo com o relato, o caso ocorreu na noite desta terça-feira (14), durante um culto evangélico na zona norte da cidade.
Conforme relatou o pastor Leonardo Silva, ele estava celebrando um culto quando, por volta das 20h, duas viaturas da Polícia Militar foram até a igreja, após uma denúncia de perturbação.
“Chegaram duas viaturas da Polícia Militar quando eu estava no púlpito pregando, no altar, e um irmão da igreja, ‘Pastor, a polícia está chamando aqui fora’. Aí eu desci do altar, parei, perguntei o que tinha acontecido, e eles falaram que era denúncia de som alto”, disse.
De acordo com o comandante da PM em Cajazeiras, o coronel Hugo, o Comando Geral da Polícia Militar da Paraíba está com o caso, mas adiantou que o pastor foi conduzido à delegacia por causa da denúncia de poluição sonora.
“O comandante-geral já se manifestou sobre o caso, mas adianto que o referido pastor cometeu um crime de poluição sonora. A ocorrência foi feita como deveria ter sido, conduzimos vítima e acusado à delegacia”.
O JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com o comando-geral da Polícia Militar da Paraíba para saber qual o procedimento adotado sobre o caso, mas não obteve resposta até a última atualização desta notícia.
Ainda de acordo com o pastor Leonardo Silva, o volume do som foi reduzido, mas um desentendimento teria começado após uma das irmãs da igreja ter reclamado da abordagem dos policiais e o pastor ter defendido a mulher.
“Ela foi até o policial e disse assim: ‘Rapaz, se fosse um paredão com músicas mundanas, ninguém denunciaria, mas porque é igreja evangélica, é som para Deus, o povo reclama’. Ela só disse isso, e ele a roxima-se com uma força no coração, no olhar, e diz: ‘Saia daqui, Satanás’.
Ao ver a cena, o pastor defendeu que a mulher “não disse nada demais”, e um dos policiais perguntou se ele gostaria de ser preso. “Aí eu perguntei qual o motivo de eu estar sendo preso: disse: ‘Se o senhor quiser me prender, pode me prender, mas eu não estou fazendo nada’. Nessa hora, ele puxou a minha mão para trás e colocou uma algema”.
O pastor foi encaminhado para a delegacia de Polícia Civil de Cajazeiras e liberado.
