Começa neste sábado (13) o início da campanha do Brasil em mais uma edição de Copa do Mundo. E é claro que o desempenho do maior vencedor do Mundial gera muita discussão. No entanto, a seleção brasileira atual tem gerado pouco otimismo da torcida.
Também não é para menos. O ciclo conturbado, a falta de uma liderança e a defesa envelhecida preocupa também o autor do texto. E é por isso que faço algumas constatações que me fazem não acreditar no hexacampeonato na Copa do Mundo 2026.
Ciclo conturbado
A eliminação para a Croácia em 2022 deixou o Brasil sem rumo. A falta de convicção do então presidente da CBF no sucessor de Tite sacrificou o início da preparação do novo ciclo.
Sem anunciar um novo treinador, a seleção brasileira deu largada na nova campanha com Ramon Menezes, então comandante do time sub-20 do Brasil. Caso desse certo, não duvido que Ednaldo Rodrigues tivesse efetivado o ex-jogador de Vasco e Vitória.
Só que, obviamente, Ramon nunca convenceu na função e, assim como fracassou nos clubes que dirigiu, também falhou na Seleção. Em três jogos, perdeu para Marrocos e Senegal e venceu Guiné. Os resultados pouco importam para um time que não conseguia ter cara.
Depois do fracasso Ramon, Ednaldo Rodrigues anunciou Fernando Diniz como técnico interino. Isso mesmo, o ciclo de Copa contou com um treinador por tempo determinado. Tudo isso enquanto esperava Carlo Ancelotti se desvincular do Real Madrid.
E após uma estreia empolgante contra a Bolívia nas Eliminatórias, o Brasil voltou ao normal para o atual momento. Jogos confusos, técnico sem convicção. O Brasil de Diniz jamais engrenou.
A tal falta de convicção também atingiu a cúpula da CBF, que interrompeu o trabalho do interino antes do previsto, voltando atrás da ideia e contratando Dorival Júnior, técnico que se destaca pelo simples e vinha de dois títulos seguidos de Copa do Brasil.
Mas o tempo mostrou que a amarelinha era demais para Dorival. Mesmo vencendo Inglaterra e empatando com a Espanha nos seus dois primeiros jogos, a sua passagem findou com uma eliminação melancólica na Copa América para o Uruguai, quando o que ficou de marcante foi o comandante fora da rodinha antes da disputa por pênaltis.
E, posteriormente, a goleada sofrida para a Argentina nas Eliminatórias. A derrota por 4 a 1 em Buenos Aires foi daquelas que marcam gerações.
Aí chegou Carlo Ancelotti. É claro que com muito atraso, já no fim de ciclo, com o Brasil sem um time bem formado e correndo para tentar amenizar uma crise. Demorou, mas o técnico de ponta na Europa enfim chegou para comandar a Seleção.
Depois de tanto tempo, a chegada de Ancelotti e uma nova gestão à frente da CBF, a seleção brasileira teve meses de calmaria.
O fato é que diante de tantas mudanças, a montagem de um time fica sempre em segundo plano. E é assim que o Brasil chega para a Copa do Mundo. Carlo Ancelotti não teve tempo, ainda está num início de trabalho.
A única notícia boa é que o comando já foi renovado até 2030, o que dará tempo para o italiano construir uma ideia de equipe.
Falta de liderança
Primeiro, é preciso entender. No momento do futebol atual, não há espaço apenas para a individualidade. É trabalho que rende jogos competitivos. E como o Brasil ainda está em formação, o processo é dificultado.
Problemas do ciclo à parte, no campo, a Seleção de Ancelotti não tem alguém que chame a responsabilidade. Durante a preparação, Estevão teve lampejos de que poderia indicar ser o líder técnico, algo que tem faltado em Vini Jr. e Raphinha, dupla que se destaca por Real Madrid e Barcelona, respectivamente. Só que o atacante do Chelsea, machucado, acabou fora do Mundial.
E nos 26 convocados, a esperança do brasileiro é que Neymar consiga reagir e jogue um futebol que não consegue desde 2022. O imaginário popular aposta que o camisa 10 se recupere, entre num time que ainda não teve a oportunidade de defender (com Carlo Ancelotti no comando), se torne titular e seja o destaque do time.
Um cenário para lá de improvável para um jogador que não está conseguindo ter uma sequência e que teve um ciclo de Copa pior que o da seleção brasileira.
Sem Neymar imaginário e sem Estevão, alguém vai ter que assumir essa condição durante a Copa do Mundo. Serão capazes? Duvido! O único que enxergo com possibilidade de ser esse líder em campo é Endrick, um jovem em formação que conseguiu esse feito ao levar o Palmeiras ao título brasileiro em 2023.
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Defesa envelhecida
O corte de Wesley na lateral direita também me deixou preocupado. Afinal de contas, o único jogador jovem da posição não vai poder jogar a sua primeira Copa do Mundo. A participação do defensor da Roma seria importante até mesmo para ganhar bagagem para a edição de 2030.
E mais do que isso, a sua reposição é que preocupa. Ibanez é zagueiro de ofício, mesmo sendo improvisado por Ancelotti na lateral. E Danilo, mesmo tendo sido um bom lateral ao longo da carreira, atua como zagueiro desde o fim da passagem pela Juventus e hoje é reserva do Flamengo, mas também jogando na linha de zaga.
Como rapidamente pode voltar a atuar na lateral jogando num torneio de maior intensidade? Mais um fator complicador.
Na esquerda, tanto Alex Sandro quanto Douglas Santos são veteranos. O jogador do Flamengo não faz um bom 2026, enquanto o paraibano atua numa liga de menor competitividade. Mesmo jogando bem, o seu papel é muito pouco comparado ao que estávamos acostumados.
Na zaga, Gabriel Magalhães talvez seja o melhor jogador da posição na atualidade. Ele é o ponto fora da curva do time, que tem Marquinhos num momento mais distante do seu auge. Mesmo bicampeão europeu como capitão do PSG, o zagueiro já foi unanimidade.
Apesar de tudo, Bremer e Léo Pereira estão distantes tecnicamente dos titulares.
Por fim, o gol é outro setor preocupante. Alisson, Ederson e Weverton, nomes que já foram incontestáveis, mas que já vivem declínios. O titular do Liverpool e da Seleção vem, inclusive, em recuperação física, enquanto o reserva, atualmente no Fenerbahce, está longe da sua melhor forma. Por fim, o arqueiro do Grêmio foi uma das surpresas da lista.
São três bons goleiros, mas que não passam a confiança que um dia passaram.
Agora é com Ancelotti
Hje, dia 12 de junho, afirmo que o trabalho de Carlo Ancelotti está aquém do esperado. Mais do que isso, é um trabalho ruim. Isso não significa que seja necessário uma mudança nos próximos meses. O ideal é apostar no treinador multicampeão no futebol.
Mas o trabalho à frente da seleção brasileira está abaixo do que poderia. Com um ano no cargo, o italiano não tem encontrado boas soluções, com um esquema tático preso a uma ideia.
O Brasil sofre gol em praticamente todos os jogos, seja amistoso ou em competição oficial. Nesse cenário, onde está o técnico que há dois anos conseguiu formar um ataque campeão com o Real Madrid unindo Rodrygo, Vini Jr. e Jude Bellingham? O inglês caiu como uma luva no esquema e potencializou os atacantes brasileiros.
Ancelotti também montou grandes times, como o Chelsea campeão e recordista de gols na Premier League 2009/2010. Foram 103 em 38 jogos. Isso, é claro, sem falar do Milan de Kaká, a última geração de ouro do Rubro-Negro italiano.
A Copa do Mundo 2026 já começou, e o Brasil estreia neste sábado (13), contra o Marrocos. O jogo provavelmente é o mais difícil da primeira fase, que ainda vai contar com duelos com Haiti e Escócia. Os adversários deverão respeitar a seleção brasileira, mas o caminho para um futebol, de fato, competitivo, ainda está distante. O hexa em 2026 é bem improvável.
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