Os pernambucanos comemoram o Dia do Frevo em 9 de fevereiro (nesta segunda-feira, portanto). A origem da comemoração é porque 9 de fevereiro foi o dia em que a palavra frevo apareceu pela primeira vez na imprensa de Pernambuco. Isso foi em 1907.
Não tenho dúvida de que o frevo de rua é a mais refinada expressão da nossa música carnavalesca. São pequenas peças instrumentais de difícil execução escritas para orquestras em cuja formação predominam os instrumentos de sopro.
Não é somente para dançar nas ruas e nos salões, o frevo também é muito bom de ouvir, em qualquer época do ano. Pela beleza de suas melodias, pela riqueza dos seus arranjos, pelo virtuosismo dos seus executantes, por sua admirável força rítmica.
Ainda porque funde a alegria do carnaval com uma indisfarçável melancolia, certamente relacionada ao espírito fugaz da festa e à saudade que ela deixa nos foliões.
Se o frevo de rua é instrumental, o frevo canção e o frevo de bloco são cantados. Os estudiosos identificam ainda algumas subdivisões no frevo de rua.
Lembro sempre de dois discos de frevo. Os dois, com a orquestra do maestro José Menezes. Um se chamava O Frevo Vivo de Levino Ferreira, da gravadora Rozenblit. O repertório era todo dedicado a um dos maiores compositores do gênero.
O outro disco era a Antologia do Frevo lançada nos anos 1970 pela PolyGram. Não se prendia ao repertório essencial de frevos de rua. Tinha também o frevo de bloco e o frevo canção. E, além da orquestra de Zé Menezes, um coral participara das gravações.
Quando penso em frevos antológicos, um dos primeiros que me ocorrem é Relembrando o Norte. Sempre me pareceu um frevo que só poderia ter sido composto por um homem que teve o jazz como influência determinante em sua trajetória.
Seu autor é Severino Araújo, o maestro da Orquestra Tabajara. Os avanços e recuos da melodia, as soluções pouco convencionais, a alegria esfuziante da última parte – Relembrando o Norte é um exemplo perfeito do gênero.
Outro título digno das antologias é Duda no Frevo. O autor, Senô, tocava na Orquestra Tabajara, e o maestro Severino Araújo foi o primeiro a ver a partitura.
Leu e percebeu que tinha em suas mãos uma peça que se transformaria num clássico. No título, a homenagem a um jovem que se tornaria uma lenda, o maestro Duda.
Já Último Dia, de Levino Ferreira, é um clássico absoluto dos nossos carnavais. Melodia original, orquestração, soluções harmônicas – é tudo irretocável nesta peça instrumental que parece anunciar o fim da festa de Momo.
Quando o assunto é o frevo cantado, a voz de Claudionor Germano se sobrepõe às demais. Há o grande cancioneiro autoral de Capiba e os frevos que Antônio Maria, de vida tão breve, compôs no Rio de Janeiro, morrendo de saudade do Recife.
“Recife adormecia/Ficava a sonhar/Ao som da triste melodia”. Isso aí é Nelson Ferreira e sua Evocação. Nelson Ferreira, certamente o maior dos mestres do frevo.
