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Mediação de conflitos gerou economia de mais de R$ 5,4 milhões ao IFSP – IFSP

Com a atuação do Núcleo de Resolução Pacífica de Conflitos, o IFSP alcançou uma economia acumulada de R$ 5,4 mi entre os anos de 2022 e 2025.

O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) vem consolidando uma mudança significativa em sua gestão administrativa ao substituir a cultura meramente punitiva pelo diálogo e pelo acolhimento. Por meio do Núcleo de Resolução Pacífica de Conflitos (NRPC), a instituição não apenas humanizou as relações de trabalho, como também alcançou uma economia acumulada de aproximadamente R$ 5,4 milhões entre os anos de 2022 e 2025.

O cálculo foi realizado por meio do relatório de gestão do IFSP. A economia é considerável, uma vez que, segundo dados da CGU, o custo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) é de aproximadamente R$ 44 mil. 

Veja abaixo a comparação entre a redução de PADs e o aumento de mediações que, além de proporcionarem diálogo e acolhimento, atendem à política de enfrentamento de assédios e violências:

Métrica

2021

2022

2023

2024

2025

PADs conduzidos

88

65

32

31

09

PADs abertos

47

31

10

11

09

TACs

05

12

05

07

03

Mediações

05

12

Não houve mediação

03

17

Fonte: relatórios de gestão do IFSP.

O custo do conflito: PAD x Mediação

De acordo com coordenador do Núcleo de Resolução Pacífica de Conflitos do IFSP, Ademar Bernardes Pereira Junior, a gestão de conflitos por meio de Processos Administrativos Disciplinares (PADs) é uma prática onerosa e, muitas vezes, desmotivadora. Dados da Controladoria-Geral da União (CGU) e de estudos acadêmicos apontam que o custo médio de um único PAD gira em torno R$ 44 mil por ano.

“Em contrapartida, a mediação de conflitos reduz drasticamente esses gastos, utilizando essencialmente as horas de trabalho dos servidores envolvidos em sessões que duram, em média, duas horas”, explica Ademar. Somente em 2025, o volume de mediações saltou 466%, com 17 casos realizados, o que representa uma economia potencial de mais de R$ 810 mil em um único ano.

Ainda segundo o coordenador do NRPC, a implementação da política de mediação de conflitos gerou uma despressurização do sistema punitivo. Entre 2021 e 2024, o número de PADs abertos no IFSP caiu de 47 para apenas 11, representando uma redução de 76%. Ao todo, estima-se que 106 processos foram evitados nos últimos quatro anos, liberando servidores para focarem em suas atividades-fim em vez de comissões processantes.

Do Punitivismo ao Acolhimento

Mais do que números financeiros, o maior resultado do NRPC é a transformação da cultura organizacional. O núcleo surgiu da necessidade de modernizar a gestão de pessoas, superando o modelo baseado na Lei 8.112/1990, que previa apenas a punição para conflitos interpessoais.

A nova política foca na saúde mental, no combate às violências institucionais e no fortalecimento da democracia interna. “O objetivo é criar a cultura do diálogo e dar aos sujeitos a faculdade de eles mesmos construírem a justiça”, ressalta Ademar. O núcleo atua como um centro de acolhimento e solução, reduzindo afastamentos por saúde mental decorrentes de conflitos mal geridos.

Referência Nacional

O sucesso do modelo desenvolvido no IFSP, que teve início com o Núcleo de Mediação e Solução de Conflitos no Âmbito Administrativo do IFSP (Nusca) em 2021, se consolidou com a criação oficial do NRPC pela Portaria Normativa nº 110/2024, transformando a instituição em uma vitrine para o serviço público federal.

Atualmente, o método de mediação e gestão de conflitos do IFSP já inspirou e capacitou servidores em diversas outras instituições, como:
 Instituto Federal do Ceará (IFCE).
 Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
 Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
 CEFET-MG, UFMT, IFRO e IFRS.

A missão continua em 2026. Conforme Ademar, há um diálogo com a Corregedoria do MEC e da CGU para a oferta de cursos de formação de mediadores e núcleos semelhantes ao NRPC. “Estamos na fase de acerto de agendas com o IFBA, UNIVASF e UFVJM”, conta. Além disso, a metodologia integra a grade de cursos da escola ESAFI (Treinamento de Servidores Públicos), consolidando a mediação como uma ferramenta essencial para a Administração Pública moderna.

Com o NRPC, o IFSP tem transformado a atuação meramente punitivista em uma visão de futuro fundamentada em três pilares essenciais: uniformidade jurídica, saúde institucional e gestão baseada em enfrentamento do assédio e violências. 

Para Ademar, com essas ações, a instituição não apenas protege o erário, mas também valoriza o capital humano, reduzindo o adoecimento mental e fortalecendo os laços democráticos no ambiente de trabalho. “A expansão dessa metodologia para toda a Rede Federal é o passo decisivo para uma administração pública mais humana, eficiente e verdadeiramente dialógica”, finaliza.

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