ESPORTES

Goleiro campeão do mundo com o Brasil fala da adaptação no Ártico – LNF

Após 10 anos defendendo o Joinville, o goleiro Willian saiu como ídolo, ganhou a Copa do Mundo no ano passado pela seleção brasileira de futsal e hoje tenta se adaptar ao estilo de vida da Rússia.

Em entrevista à série Catarinenses pelo Mundo, Willian conta como é jogar no frio de -40°C do Ártico, o estilo de vida por lá e também compara o futsal brasileiro com o russo.

Willian foi campeão da Copa do Mundo com o Brasil, melhor goleiro do torneio e melhor jogador da final. | Foto: Leto Ribas

Natural de Jaraguá do Sul, Willian Felipe Dorn começou a trajetória no futsal no Colégio Evangelho de Jaraguá, que tinha parceria com o Jaraguá.

— Na época jogava sexta-feira à noite, sábado de manhã e sábado à tarde. E ali com 15 anos a gente já viajava de micro-ônibus, que era luxo para escolinhas, ficava em hotel, a gente tinha uma estrutura muito grande — relembrou Willian.

Crescer no futsal ao mesmo tempo que o clube da cidade estava nos anos de ouro fez com que ele se apaixonasse cada vez mais pelo esporte.

— Nosso sonho era virar jogador de futsal porque tinham grandes jogadores que a gente podia se espelhar. Eu era gandula na época da Malwee, então vi Thiago, Franklin, vários goleiros que atuaram no Jaraguá.

Willian Dorn campeão do Jogos Escolares da Juventude. | Foto: Arquivo pessoal

Antes de estrear no profissional do Jaraguá, Willian foi para o Joinville, onde, ficou por mais de 10 anos e conquistou uma Liga Nacional de Futsal, uma Supercopa, uma Taça Brasil e quatro Catarinenses.

Ele também se desenvolveu como um dos maiores goleiros do país e, a partir de 2021, virou figura carimbada nas convocações da seleção brasileira.

Com a projeção internacional, Willian se despediu do JEC como um dos grandes ídolos do clube e partiu para o primeiro desafio fora do país: o Norilsk Niquel, da Rússia.

Willian comemora título estadual pelo Joinville em sua despedida do Cau Hansen. | Foto: Juliano Schmidt

Na Rússia, Willian está se adaptando com o longo deslocamento, por se tratar de um país com dimensões continentais, e com a temperatura.

O clube que defende é em Norilsk, onde a única maneira de chegar é por avião, a cidade não tem conexão rodoviária com o restante da Rússia.

— Moramos na região metropolitana de Moscou, mas eu viajo para jogar na cidade que é a sede do clube. São quatro horas de voo, é lá no Ártico. E quatro horas a mais de fuso horário, tem que se acostumar com isso, o café da manhã é 14h, o almoço é 19 ou 20h, o jantar é lá pela meia-noite, uma da manhã, e a gente vai dormir lá pelas 5h. Até a cabeça começar a entender isso demora um pouco.

A temperatura média de Moscou é de 5,7°C, sendo um inverno rigoroso e um verão que pode alcançar a 30°C. Já Norilsk é sempre frio, a média anual é de -10°C.

— Como a cidade fica no Ártico, no verão fica dia por 24 horas, e no inverno são 60 ou 67 dias de noite, se eu não me engano. Além do frio, eu peguei -43° C, foi o mínimo que eu peguei. Tem algumas coisas que são complicadas, mas vai se adaptando, é um país muito bom de morar.

Willian Dorn é goleiro do Norilsk Niquel, da Rússia | Foto: Arquivo pessoal

Outro ponto crucial para a adaptação é o idioma. O russo é um vocabulário muito diferente do português, mas Willian está dando jeito.

— Meio que mistura tudo, aprende uma palavra russa e fala em inglês alguma coisa. A gente tem tradutor no clube também, que ajuda no trabalho e tá sempre com a gente ali perto.

— Tenho a facilidade de estar com o Nando [atleta brasileiro naturalizado russo]. O tradutor às vezes não consegue ter essa malandragem do jogo, algumas coisas específicas, aí o Nando consegue explicar bem ou passar a informação.

Em quadra, não precisa de muita adaptação, Willian vê a Liga Nacional de Futsal, aqui do Brasil, um degrau acima da Liga Russa.

— É uma liga forte, existem bastante jogadores bons e é um jogo mais físico. Porém, a parte tática e preparação física eu tenho certeza que a gente tá na frente deles, não só daqui da Rússia, mas de todos os outros países. O Brasil ainda consegue ter mais efetividade, questão de marcação, um ataque organizado, a malandragem do jogo e bolas paradas — completou Willian.