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Veneziano e João Azevedo prestigiam exposição que homenageia aos 100 anos de Jackson do Pandeiro, em Brasília

No centenário de Jackson do Pandeiro, o Senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) e o governador João Azevedo (PSB) visitaram a exposição que faz homenagem ao “Rei do Ritmo”, em Brasília. A exposição “100 anos de Jackson” acontece no Salão Negro do Congresso Nacional.

Em recente homenagem, Veneziano destacou o quanto a vida deste ilustre paraibano foi e continua sendo importante para as gerações que vieram depois dele.

“Não há dúvida alguma de que os novos ritmos desenvolvidos por Jackson, entrelaçando-se a outros existentes, como o samba, mudaram, e muito, a musicalidade nacional. Por isso eu fico muito feliz de poder prestar essa homenagem, agradecendo à vida que foi tão fértil, que foi tão importante para todos nós paraibanos, para todos nós brasileiros”, destacou o parlamentar.

Com curadoria do Museu de Arte Popular da Paraíba e da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), a exposição em Brasília retrata a carreira de Jackson do Pandeiro, cujos 100 anos de nascimento são comemorados neste ano.

Cantor e compositor paraibano, Jackson do Pandeiro se tornou referência na música brasileira e ficou conhecido como o Rei do Ritmo. Nascido na cidade de Alagoa Grande, Jackson firmou seu nome como um dos maiores ritmistas da história da música popular brasileira. Ao lado de Luiz Gonzaga, foi um dos principais responsáveis pela nacionalização da música nordestina.

Na exposição, Veneziano gravou mensagens para as redes sociais e concedeu entrevistas, destacando a grande importância de Jackson para a música brasileira. Também participaram da visita os secretários de Estado Nonato Bandeira (Comunicação Institucional), Ronaldo Guerra (Chefia de Gabinete e Articulação Política) e Adauto Fernandes (Representação em Brasília)

Após visitar a exposição, o Senador Veneziano participou de reunião da Bancada paraibano no Congresso Nacional que contou com a presença do governador João Azevedo e de prefeitos da Paraíba.

Assessoria de Imprensa

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Reportagem Especial: 100 anos do rádio – preservação do acervo e reinvenção a partir da internet e das novas tecnologias

A Reportagem Especial sobre os 100 anos do rádio no Brasil termina hoje, com um breve panorama da preservação do rico acervo histórico das emissoras e a reinvenção do rádio a partir da internet e das novas tecnologias.

A história, a importância e o rico conteúdo do rádio estão disponíveis hoje em livros, no cinema, em blogs e em programas de variados veículos de comunicação. A preservação desse acervo é um trabalho árduo de apaixonados pelo rádio, como nos contou o jornalista Reynaldo Tavares. Ele condensou 25 anos de pesquisa no livro “Histórias que o rádio não contou”.

Reynaldo Tavares: “Não deixa de ser uma tarefa das mais excitantes, complexas e leoninas juntar fatos e fragmentos para recompor essa verdadeira usina de sonhos, que é o rádio.”

Muitos dos registros históricos que mostramos ao longo desta série de cinco matérias foram retirados do CD que acompanha o livro de Reynaldo Tavares. Infelizmente, Reynaldo nos deixou recentemente, em 2018.

Outra pesquisadora da memória do rádio é a jornalista Suzana Blass, que, durante alguns anos, cuidou do rico acervo sonoro da Rádio Jornal do Brasil AM, com 58 anos de história. Hoje, Suzana lamenta a perda de boa parte desse material durante o período em que o prédio do antigo JB ficou abandonado, no Rio de Janeiro.

Suzana Blass: “Eu informatizei o arquivo e aí a gente inseria todo o material que era produzido pela redação. A Rádio JB foi pioneira em ter uma equipe de jornalistas voltados para rádio. Na cultura do Rio de Janeiro, ela influenciou pra caramba, tanto com a programação musical quanto com a parte de conteúdo. Não é possível que isso tenha se destruído.”

O cineasta Estevão Ciavatta, por exemplo, chegou a usar o arquivo sonoro da Rádio JB para produzir o filme “Programa Casé”, que traz a trajetória de Ademar Casé, o pernambucano que deu ares profissionais e comerciais ao rádio brasileiro ainda na década de 1930. Estevão passou por uma verdadeira “via-crúcis” durante a pesquisa para o filme.

Estevão Ciavatta: “Para mim, foi muito difícil encontrar material para falar dos anos 30, uma época em que não sei se já costumava gravar programas de rádio. Eu fiz o filme inteiro sem ter nenhuma irradiação do Programa Casé. O que eu consegui foi fazer uma pesquisa enorme nesses arquivos – da Rádio MEC, da Rádio JB e do Museu da Imagem e do Som – e ter depoimentos de pessoas que falavam do programa e dessa época do rádio.”

A internet, que chegou a ser anunciada como o tiro de misericórdia na vida do rádio, tem sido, na verdade, um dos elementos de vitalidade para o veículo. As próprias emissoras já mantêm na internet uma pequena parte de seus acervos. É o caso, por exemplo, da carioca Rádio Tupi.

Rádio Tupi: “Orquestras e grandes cantores animaram os mais importantes programas musicais. Vicente Celestino, Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Orquestra Tabajara, Dalva de Oliveira, Nat King Cole estão entre as centenas de vozes inesquecíveis que fizeram a história musical da Tupi.”

É também por meio da internet e das redes sociais que o rádio tem se reinventado, antenado com as novas tecnologias, novas linguagens e novas formas de comunicação mais interativas. A Rádio Câmara, por exemplo, está no Facebook, no Twitter, no Youtube; pode ser ouvida no podcast, no celular, no computador… E, que legal, o conteúdo das emissoras também continua sendo ouvido no velho e bom radinho de pilha, fazendo companhia a quem vive nos rincões do Brasil ou a quem ainda prefere a comunicação à moda antiga.

[MÚSICA: Pela internet]

Um ano antes de morrer, em 1978, o radialista paulista Vicente Leporace gravou este depoimento para deixar bem claro que o rádio é imortal e pode conviver muito bem ao lado de outros veículos de comunicação. Cada um na sua.

Vicente Leporace: “Quando apareceu a televisão, o rádio ia sumir. A televisão, aqui em São Paulo, apareceu em 1950, portanto, nós estamos trabalhando juntos há 27 anos. Então, não se espante não. Daqui a mais ou menos 50 anos, quando se falar do primeiro centenário do rádio, eles vão dizer: ´o rádio foi ameaçado pela televisão e os dois continuam concomitantemente, trabalhando cada um na sua esfera. Evoluindo o rádio, evoluindo a televisão, eles vão continuar dando o recado da mesma forma concisa e objetiva que vem ocorrendo hoje.”

A profecia de Leporace estava certíssima. A primeira emissora do Brasil – Rádio Clube de Pernambuco – surgiu há 100 anos, em abril de 1919. Mesmo centenário, o rádio continuará sendo, e ainda por muito tempo, o veículo de comunicação mais acessível à população e presente em todos os rincões do país.

Seu conteúdo chega agora aí na tua casa, no teu trabalho, te distrai, te mantém informado, te acompanha e até interage contigo em todos os momentos. Ao resgatar uma microscópica parte da imensa “memória do rádio”, nesta série de reportagem, a gente quis reafirmar o vigor e a vitalidade das ondas do rádio.

Termina aqui a série especial da Rádio Câmara sobre os 100 anos do rádio no Brasil.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Aprigio Nogueira
Agência Rádio Câmara
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Reportagem Especial II: 100 anos do rádio – os áureos tempos dos programas de auditório, radionovelas e grandes espetáculos

Na Reportagem Especial que mostra os 100 anos do rádio no Brasil, chegou a vez de visitar os áureos tempos dos programas de auditório, radionovelas e grandes espetáculos da era do rádio, que imperou entre as décadas de 40 e 50.

A evolução dos receptores de ondas radiofônicas ajuda a entender a gradual popularização do rádio, a partir da década de 1920. Primeiro veio a galena, depois, apareceram a válvula e a radiofrequência sintonizada. Alguns receptores eram imensos e ocupavam o espaço de um móvel dentro de casa. Com o tempo, essa geringonça foi se tornando mais portátil. Mas, para os ouvintes, o que importava mesmo era o prazer de se reunir em torno desses aparelhos ou diante de alto-falantes para curtir os espetáculos sonoros de seus cantores, músicos, escritores, atores e humoristas preferidos da Era do Rádio.

[MÚSICA: Cantoras do rádio]

A carioca Rádio Mayrink Veiga foi uma das primeiras a investir em entretenimento. No entanto, o que se costuma chamar de a Era do Rádio está muito associada à história da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A emissora de prefixo PRE-8 foi criada por um grupo privado, em 1936, mas acabou encampada pelo Estado Novo de Getúlio Vargas, quatro anos depois. Com alcance nacional, a emissora conquistou audiência cativa ao difundir o trabalho dos artistas que viviam na então capital federal.

[Marlene e Emilinha Borba em programas de auditório na Rádio Nacional]

As atrações eram fartas: programas de auditório, shows de calouros, esquetes de piadas e muitas radionovelas. Havia grande concorrência entre as emissoras para manter elencos fixos com os mais renomados artistas. Osmar Frazão, ex-diretor da Rádio Nacional, relembra alguns dos nomes famosos que criaram as principais radionovelas.

Osmar Frazão: “O radioteatro retratou, em capítulos, esse nosso Brasil romântico escrito pelos mais abençoados escritores radiofônicos, como Amaral Gurgel, Mário Brasini, Edgard G. Alves, o meu saudoso Guiaroni, Janete Clair, Dias Gomes, Mário Lago e tantos outros que prendiam a emoção dos ouvintes nesse tempo do radioteatro, nesse tempo dos auditórios.”

[Trecho de “O Direito de Nascer”]

Esse aí é um trechinho de “O direito de nascer”, do escritor cubano Félix Caignet, exibida na Rádio Nacional em 1951. O ator Paulo Gracindo vivia o protagonista Alberto Limonta. Essa radionovela de 260 capítulos foi um verdadeiro fenômeno de audiência para a época. O Brasil inteiro parava para escutá-la pelas ondas da Nacional. Ao longo da história da emissora, foram dezenas de títulos:

“Senhoras e senhoritas, a Rádio Nacional do Rio de Janeiro apresenta ´Em busca da felicidade´, emocionante novela de Leandro Blanco.”

“Radioteatro Colgate-Palmolive em mais um capítulo de ´Serra Brava’.”

“Uma escada para o céu’ é a dramática e comovente história de amor que Janete Clair escreveu e que a Rádio Nacional apresenta hoje, às 8 horas da noite, em seu primeiro e emocionante capítulo.”

Parte desse modelo de sucesso da Era do Rádio deve-se ao tino comercial de Ademar Casé, um pernambucano que chegou ao Rio para profissionalizar o rádio brasileiro:

“A Rádio Phillips do Brasil, PRA-X, passa a irradiar o Programa Casé.”

Casé, inicialmente na Rádio Phillips e depois na Nacional, foi sócio de Francisco Alves, lançou Noel Rosa e impulsionou as carreiras de Carmem Miranda e Orlando Silva, o “cantor das multidões”. O cineasta Estevão Ciavatta conta essa história no filme “O programa Casé” e faz um resumo aqui nessa entrevista à Rádio Câmara.

Estevão Ciavatta: “O Casé vem inventando um monte de programas ou de conceitos artísticos que a gente utiliza até hoje. Desde os modelos de negócio: você tem uma concessão por determinado espaço de tempo, ao qual você paga dinheiro, contrata artistas e, com essa movimentação de atrações na sua rádio, você vende espaço comercial para anunciar e aí pagar tudo isso e ainda ter lucro na história. Ele é a primeira pessoa a pagar cachê para músicos tocarem na rádio. Em seguida, ele inaugura a parte criativa dentro do rádio, que é o primeiro jingle.”

Esse primeiro jingle é de autoria do compositor e caricaturista Nássara. Outro pioneiro do rádio, o comunicador Almirante, relembra como o pão da Padaria Bragança inaugura a propaganda cantada no rádio.

Almirante: “Nássara teve a iniciativa. Em vez de ler os versinhos, ele cantou aquele versinho, cantando com aspecto de fado. Pode-se admitir que é o primeiro jingle que apareceu, mas não era gravado: ´ai, o padeiro dessa rua / tenho-o sempre na lembrança / não me traga outro pão / que não seja o Pão Bragança’.”

São inegáveis a audiência e a influência da Rádio Nacional do Rio de Janeiro no país inteiro, durante essa Era do Rádio. Mas isso não significava paralisia das emissoras regionais. Vamos pegar dois exemplos? Salomão Esper, que já passou pela Rádio Cruzeiro do Sul e está há mais de 50 anos na Rádio Bandeirantes, revela um pouco das atrações das emissoras paulistas neste mesmo período de ouro da Nacional.

Salomão Esper: “No interior inteiro, inclusive o de São Paulo, os moços que queriam um dia chegar diante de um microfone faziam sempre citação a essas emissoras do Rio. Mas a Bandeirantes produzia programas de nomeada. Eu me lembro que a Rádio Record tinha o Osvaldo Molles, maestros como Gabriel Migliori. A Rádio Tupi apresentava grandes cantores. Quando eu fui fazer o meu teste, encontrei cantando lá a Hebe Camargo.”

Os pernambucanos davam uma paradinha para ouvir a programação da Nacional, mas também se ligavam nas atrações locais. Quem conta é Renato Phaelante, historiador da pioneira Rádio Clube de Pernambuco.

Renato Phaelante: “Havia horários em que nós, ouvintes, parávamos para ouvir a Rádio Nacional. E havia uma intenção política nesse aspecto: o Estado Novo e o próprio governo de Getúlio Vargas tinham esse objetivo de difundir o rádio popularmente e a Rádio Nacional foi uma escola nesse sentido. Mas a Rádio Clube de Pernambuco tinha uma repercussão muito forte na sociedade local.”

[MÚSICA: Madeira que cupim não rói (frevo de Capiba)]

E tinha mesmo. O radialista e compositor Antônio Maria e o comunicador Abelardo “Chacrinha” Barbosa surgiram lá. Em 1934, a Clube passou a ser dirigida pelo maestro Nelson Ferreira, que foi fundamental para a difusão dos frevos de Capiba.

 

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Aprigio Nogueira
Agência Rádio Câmara