Categoria Crônicas

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Professor e poeta Carlos Gildemar Pontes lança livro “O Olhar Tardio de Maria”. Confira!

O professor e poeta cearense Carlos Gildemar Pontes, irá fazer o lançamento de mais um trabalho literário de sua autoria, na oportunidade, o poeta convida amigos e sociedade para se fazerem presentes no próximo dia (12) de dezembro, às 19 horas, na Livraria Universitária, localizada à Praça Major José Marques, 45 – Centro – Cajazeiras/PB.

Redação

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Delzinho: da surpresa à realidade de um grande presidente

Houve quem duvidasse, houve quem não acreditasse, houve até os que pagaram para ver! Mas o fato é que o atual presidente da Câmara de Cajazeiras, “Deuzinho da Arara” (PTC), vem tendo um desempenho considerado de ótimo à excelente, à frente do Poder Legislativo Municipal.

São inúmeras as ações que fazem da sua gestão uma das mais produtivas daquela casa legislativa e que coloca “Deuzinho” no rol dos principais presidentes que já dirigiram aquele poder.

Dentre os muitos destaques está a implantação do painel eletrônico que permite a dinamização dos trabalhos, além do acompanhamento mais apurado e controle de presenças dos parlamentares, dando maior visibilidade do plenário que ganhou ares de grandes parlamentos.

A construção do arquivo no próprio prédio da Câmara é outra grande conquista do presidente, que realizou uma promessa antiga de outros administradores, preservando assim, a memória da Casa.

A aquisição de um novo elevador que vai resolver de vez o problema das pessoas que não conseguem se locomover pelas escadas será um marco da administração de “Deuzinho”, que a partir de 2020 não vai mais locar veículos, pois o presidente tem dito que está adquirindo um carro e uma motocicleta, para realização dos serviços necessários.

Por essas e outras ações tão importantes, “Deuzinho da Arara” deverá ter o seu nome marcado na história da Câmara Municipal – como um dos maiores benfeitores do Poder Legislativo cajazeirense.

 

Por Eutim Rodrigues

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Rio Piranhas pede socorro urgente

O nosso alerta vai para os senhores políticos, administradores e povo em geral que também pode se manifestar e cobrar a quem de direito nas regiões de Sousa e Cajazeiras. Veja minha gente o grande problema, talvez esquecido por muitas autoridades, mas que merece toda a atenção. A rede de esgoto gerada na cidade de São José de Piranhas está sendo lançada atualmente nas águas do Rio Piranhas, não está afetando totalmente a cidade de São José de Piranhas, mas de forma indireta parte da área urbana vem sendo afetada, principalmente as residências próximas do riacho da CAGEPA.

Esse afluente do Rio Piranhas é atualmente o maior receptor da rede de esgotos da cidade. Podemos observar que em algumas áreas, as residências ficam a menos de 40 metros da margem do Riacho, o mau cheiro apresentado é desagradável e prejudicam as famílias que residem às margens do Riacho da CAGEPA, como exemplo, o lar dos idosos que fica a aproximadamente 50 metros da borda do Riacho.

Temos que lembrar que os detritos dos esgotos passam em correntezas misturados com água, prossegue até o Rio Piranhas e se lança nas águas do açude de Boqueirão. Durante o período chuvoso, momento em que o rio está em correnteza, estes detritos poluídos se misturam com a água e caem direto no açude de Boqueirão. As últimas observações de analistas ambientais, concluíram que o açude de Boqueirão corre um grande risco de contaminação, e poderá ser atingido totalmente em poucos anos.

A rede de esgoto de uma cidade afeta sempre os vizinhos de baixo, mas no caso de São José de Piranhas a coisa muda, está prejudicando os ribeirinhos do rio Piranhas, e em um futuro breve o açude de Boqueirão, onde 75 % de suas águas, detentora de grande serventia ficam no município de São José de Piranhas. Se aumentar a contaminação no Açude, as cidades de Cajazeiras, Marizópolis, Sousa e sues distritos serão afetadas diretamente, por que atualmente recebem todo o consumo de água do açude de Boqueirão.

Alguns anos a traz foi liberada uma verba superior a 8 milhões de reais para a construção do esgotamento sanitário de São Jose de Piranhas, a obra foi iniciada e feita aproximadamente 50 %, a firma que estava executando os serviços foi embora e até nunca mais. Com a conclusão desta obra, teremos a solução definitiva do problema. O prefeito Chico Mendes e outros representantes estão na luta para a conclusão do esgotamento sanitário de nossa cidade. Sabe em 2018, houve uma licitação para a continuação da obra, mas até o momento não tivemos o ar da graça de vê-la iniciada. É claro, se em pleno final de 2019 ainda não foi iniciada, o retorna das obras para finalizar o esgotamento sanitário de São Jose de Piranhas, está embaraçado. Com essa obra concluída e seguindo os tramites de manutenção da lagoa de estabilização que será construída no final da tubulação, chega-se a solução e salvação do Rio Piranhas e do açude de Boqueirão. Esperamos que quem de direito conclua esta obra tão importante para a nossa região sertaneja.

Temos que lembrar aqui que os investimentos em tratamento de esgoto e preservação da água têm um alto valor, mas não podemos deixar de lembrar também que um grande manancial de água como o açude de Boqueirão posse a ser contaminado por falta de atenção e cuidado dos nossos representantes. Tal montante de dinheiro para a construção de um sistema de proteção na cidade de São José de Piranhas, ponto inicial do problema, seria a maior solução.

Como aumento da população urbana na cidade de São José de Piranhas, consequentemente aumentou o número de residências e redes de esgotos domésticos na cidade. Não sei se essa é uma preocupação dos nossos representantes, mas é uma preocupação dos que lidam com o meio ambiente em nossa região, e principal os problemas ecológicos que os nossos Rios enfrentam. Esgoto doméstico causa a morte ou polui totalmente os Rios. O crescimento da população humana e sua concentração nas cidades geram graves impactos ambientais, e principalmente onde os administradores não tomam as providencias e prevenções. As prefeituras precisam se prevenir para enfrentar tais situações. Um dos maiores problemas consiste na construção de residências e o aumenta a quantidade de esgoto doméstico, rico em matéria orgânica que são lançadas nos rios, provoca a contaminação e a morte dos peixes e de outros organismos aquáticos. Vale também lembrar, o que elimina os peixes não é tanto a presença de substâncias químicas tóxicas que muitas vezes são inexistentes nos esgotos domésticos, mas a falta de oxigênio, consumido pelos microrganismos decompositores (fungos e bactérias) que se alimentam da matéria orgânica biodegradável. Esses microrganismos conseguem sobreviver no rio poluído porque necessitam de menores concentrações de oxigênio, apenas 1 mg/l ou menos, já os peixes precisam aproximadamente de 3 a 4 mg/l.

Além do esgoto doméstico, existem outras fontes de matéria orgânica poluidoras dos rios, como: matadouros, cuja seu saneamento comumente é lançado direto e em afluentes dos rios de nossa região, esgotos de hospitais, outras casas de saúde e clínicas médicas. Seu efeito pode ser agravado dado à presença de muitos produtos de natureza química usado nestes locais.

Fontes de poluição da água: A água pode conter barro, areia e outras impurezas. Um grande perigo de contaminação da água está, por exemplo, na presença de produtos químicos tóxicos, que por sinal é muito usado às margens do Rio Piranhas e açude de Boqueirão, como o famoso mata mato, usado pelos agricultores que deixaram a enxada de lado, existem ainda muitos tipos de microrganismos que tornam a água poluída. Ainda existem outras fontes de poluição, a consequência falta de tratamento de esgoto – O grande número de dejetos dos populosos núcleos residenciais, descarregado em córregos, rios provocam a poluição e a contaminação das águas. Estas contaminações podem provocar doenças como: Febre tifoide, hepatite, cólera e muitas verminoses, além de outras doenças contagiosas e prejudiciais à população, e algumas destas doenças pode provocar a morte.

Francisco Inácio de Lima Pita é Radialista e Professor Licenciado em Ciências e Biologia pela UFPB e UFCG respectivamente. Atualmente é professor aposentado por tempo de serviço em sala de aula, escritor dos livros CONCEITOS E SUGESTÕES PARA VIVER BEM O MATRIMÔNIO, AS DROGAS E A RETA FINAL DA VIDA E VARIAÇÕES POÉTICAS e tem outros livros em andamentos, mora atualmente na cidade de São José de Piranhas – PB. Produz e apresenta todos os sábados o Jornal Terra News pela Rádio Terra Nova FM, 88.7 MHz. E-mail: pittadoradio@gmail.com

 

Por Francisco Inacio Pita

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Chico César: uma pedrada após a outra em “O Amor é Um Ato Revolucionário”

“Eu quero que o sistema se foda” (Chico César)

Hoje quero compartilhar um ato revolucionário, quero compartilhar o amor, quero compartilhar “O Amor é Um Ato Revolucionário”, novo álbum do Chico, do nosso Chico, o Chico César. Estamos diante da incrível música paraibana que, como diz Totonho, “é música universal”. Aqui falo de um novo som, novo que já é um clássico da Música Popular Brasileira. Verdade, não sou conhecedor de música, é exatamente por esse motivo que faço tal afirmação, quem afirmou ser um clássico foi meu coração, que não analisou técnica, que sentiu cada pedrada, que dançou, que sorriu, que chorou.

Não lembro de tal sentimento com uma música, muito menos com uma música que eu nunca tinha escutado, que não remete a nenhum fato específico, mas “Minha Morena” bateu com uma força, com uma energia, que foi junto com o coração e as lágrimas que corriam pelo rosto até encontrar meu canto de boca sorrindo.

Com o corpo ainda sensível, a barba molhada e os olhos vermelhos, mas firme como os fios do cânhamo fumado em “Luzia Negra”, o corpo foi lavado a dançar, a sentir o baque e o amor incondicional sem fim que segue com “As Negras” das origens de “onde se banham as almas” e “De Peito Aberto” falando sobre liberdade e gênero.

Chico conecta as origens da “Mama África” com o “Like” e o “History” de uma atualidade marcada pelas redes sociais, tudo isso em um gingado que a vontade que vem é de dançar agarradinho – com um “tremelique de tanto gostar”.

Logo depois ouvir o “O Homem Sob O Cobertor Puído”, na mesma perfeita sonoridade, cantando a hipocrisia da atual conjuntura (sem virar panfleto), vem “Mulher” que fortalece a vontade coletiva de Nero em “colocar fogo no fórum”. Daqui para frente não tem tempo para respirar, “Eu Quero Quebrar” convida para sair do coma para o cometa e “tirar a ira do papel”, convite aceito!

Quando você acha que deu, aí vem um reggae “Pedrada” sobre a “república dos parentes” – resultado do “ovo da serpente fruto do cinismo” –  e a palavra de ordem de “fogo nos fascistas”. Não seguiremos sendo “carne humana para moer”. Mas não para, segure o fôlego, ainda tem “Cruviana” levando “os telhados de vidro” até chegar a faixa bônus “Eu Quero Quebrar”, que fecha quebrando a porra toda, botando o bloco na rua e metendo o louco geral. Quem vamos?

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E agora, Jeová? Seguirás a tempestade ou o vento?

Umbilicalmente ligado ao prefeito de São José de Piranhas, Chico Mendes, que além do espólio eleitoral na cidade tem mais de mil funcionários em suas empresas, o deputado estadual Jeová Campos, do PSB, não é um ponto de interrogação e, nesse racha entre Ricardo e João, segue Chico Mendes e fica com o governo.

E isso não é nenhuma surpresa. Jeová tem que seguir para onde o vento sopra em sua base e decidir ao contrário equivaleria a virar biruta de aeroporto desgovernada.

Argumentos não faltam ao deputado para invocar coerência e, além do desejo da base, tem o de que foi eleito pra ser governo e incoerente seria romper sem motivos com o governador que elegeu, intempestivamente.

Vento ou tempestade? Eis o dilema de Jeová, tentado permanentemente no deserto.

Por Dércio Alcântara

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Analfabeto Funcional: Coluna “A Faisqueira” desta sexta-feira (13). Leia!

Ano Eleitoral – Algumas regras do Projeto, que vão mudar nas eleições de 2020, a que mais preocupa é o fim das coligações proporcionais e o  Senado tem apenas 21 dias para aprovar o projeto, que já passou pela Câmara, tendo em vista o início do ano eleitoral.

Nada de Coleguismo – Nas eleições de 2020, cada partido terá que atingir o quociente eleitoral (número de votos válidos dividido pelas vagas a serem preenchidas). Em 2018, a coligação permitia que os partidos com mais candidatos e votos favorecessem na eleição os bem votados dos pequenos partidos. Agora, cada partido tem que se rebolar. Mas tudo leva a crer que a regra vai beneficiar os partidos com mais candidatos e quem tiver um bom fundo eleitoral.

Analfabeto Funcional – O prefeito Zé Aldemir se encontra na relação dos milhões de brasileiros que estão aprendendo a usar, sem cometer erros/enganos, as redes sociais. Esta semana teria passado por um “perrengue” ao tentar enviar uma mensagem para um grupo privado de assessores, mas a postagem “caiu” num grupo público. Deu um “moído” infeliz.

Com os Olhos no Futuro – O deputado e presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, Adriano Galdino, teria anunciado a sua saída do PSB. Tem partido de sobra querendo-o, mas ele impõe uma condição: ser presidente da legenda, onde ele possa dizer: aqui posso e mando. Está com os olhos voltados para o futuro.

Adesões – O deputado Adriano Galdino anunciou ainda que tem duas deputadas estaduais que irão “migrar” para a base do governo. Uma delas, com certeza, será Dra. Paula Meireles, que já vem fazendo e recebendo de volta “mimos” do governo do estado. O deputado federal Aguinaldo Ribeiro estaria alicerçando a entrada do prefeito Zé Aldemir no Palácio da Redenção.

Ricardo x João – Tem mais gente tocando fogo do que botando água na “briga” entre a criatura e o criador. Alguns afirmam que não tem “cura”, outros que pregam a paz. O fato é que Ricardo e João Azevedo estão distanciados um do outro. ‘Pras’ bandas de Cajazeiras, os dois grupos políticos vivem esta expectativa com o coração na boca.

Sem Chance – A “cisão” entre João e Ricardo poderia dar dores de cabeça em quem tem cargos comissionados, indicados pelas lideranças de Cajazeiras, mas como ninguém é “maluco” de romper com o governo que tem apenas oito meses de existência, tudo fica d´antes no quartel de Abrantes.

Tem Saída? O povão, que votou duas vezes em Ricardo e uma vez em João, ao ser questionado em torno desta atual “rixa” entre os dois vem se manifestando nas esquinas e bares de Cajazeiras, com um ar de exclamação, “tão cedo assim?!!” Ou, os dois deviam criar juízo, se trancarem num quarto e brigarem até suar a camisa, depois se abraçarem e se beijarem em nome da Paraíba e do grande projeto do PSB que vem dando certo e servindo de exemplo para o Brasil. O Povão é sábio!

Crescimento – A vocação comercial de Cajazeiras cada vez mais se torna patente: brevemente a cidade vai ganhar um novo shopping, com perspectivas para cinquenta lojas, salas para cinema e uma moderna área para refeição. O empreendimento tem a assinatura três empresários vitoriosos de Cajazeiras.

A Lenda – Elair Diniz Brasileiro, que ganhou seis eleições para prefeito de Santa Helena, durante 24 anos, com a caneta na mão, construiu a História de sua terra, deixando um legado imensurável, faleceu neste último dia 11 de setembro, aos 80 anos de idade. O povão de Santa Helena chora a sua partida para as alamedas da eternidade.

Zé Mangueira – O prefeito de Triunfo, mesmo diante de inúmeras dificuldades e comendo broxa com arame farpado, teve suas contas aprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado, por unanimidade, relativas ao ano de 2018.  A cidade continua em colapso de água e suas finanças sangradas pelos bloqueios de seus recursos, mas Zé continua firme e forte como uma frondosa mangueira.

 

Fonte: Jornal Gazeta do Alto Piranhas

Edição: sexta–feira (13/09/2019)

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Tarcio Teixeira critica tentativa de acabar com o projeto “Praia Acessível”

Deficiência Não é Crime, Preconceito Sim!

Inaceitável a postura preconceituosa de algumas pessoas que tiveram a audácia de ir pessoalmente a Câmara Municipal de João Pessoa na tentativa de impedir a ida de pessoas com deficiência para praia do Cabo Branco.

Nosso repúdio vai além dessas pessoas representarem quase 30% da população paraibana, poderia ser uma única pessoa e deveria ter seu direito respeitado, democracia não é necessariamente maioria, mas respeito e cuidado.

Nós sabemos de onde as pessoas estão tirando coragem para tirar seus preconceitos do armário e ter a audácia de ir em uma instituição pública pedir para que uma vereadora pratique um crime, sim impedir qualquer pessoa de ter acesso a um espaço público como nossa linda praia do Cabo Branco é crime, não pode ser visto de outra forma. A vereadora Helena Holanda foi muito feliz em não deixar essa postura no silêncio, pois esse absurdo precisa ser enfrentado publicamente para impedir que se amplie, parabéns.

Nossa solidariedade a todas as pessoas com deficiência. Um dos poucos acertos da Prefeitura de João Pessoa, o projeto Praia Acessível, deve ser ampliado, não extinguido como alguns tiveram a audácia de solicitar.

Não deixemos a escuridão da fumaça que queima nossa floresta tomar conta dos nossos corações. Que na contramão do ódio crescente vença a diversidade, o respeito e o amor. Eu acredito, tenho que acreditar.

Tárcio Teixeira
Gente, como qualquer outra gente.

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Democracia, Direitos, Saúde Mental ou Bolsonaro?

“Choro compulsivo, riso histérico
Euforia, vertigens
Estados alterados da mente
Devaneios, delírios, desvarios
Estados alterados da mente” (Titãs)

 

Estou com dois intensos temas na cabeça, não sei por onde começar esse texto: de um lado quero escrever sobre o emocional de várias pessoas, de como adoeceram com a falta de perspectiva diante do desGoverno Bolsonaro e como, por vezes, querem buscar em mim a energia e receita para sairmos do buraco que nosso Brasil entrou; do outro lado pretendo tratar das declarações desumanas, da postura criminosa,  do crime confessado por Bolsonaro ao dirigir suas declarações ao Felipe Santa Cruz, Presidente da OAB, sobre seu pai Fernando Santa Cruz, executado pela ditadura militar. Verdade, os temas se cruzam, mas não são a mesma coisa, veremos onde chegaremos. Só tenho uma certeza, vai virar textão.

Tive a honra de conhecer Dom Helder Câmara na missa de formatura do curso de Serviço Social da minha tia, não lembro em qual igreja, mas lembro do sorriso daquele homem, da energia e da paz que ele transmitia, do sorriso fácil e cativante. Não sabia eu que, anos depois, também terminaria meu curso de Serviço Social, que teria oportunidade de trabalhar no Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec) e, menos ainda, que viveria tempos tão sombrios de entrega da soberania nacional, ataques contra a democracia e desmonte dos direitos sociais.

Conheci Marcelo Santa Cruz, irmã de Fernando Santa Cruz, quando trabalhei no Cendhec. Foi doloroso ler as palavras de Marcelo (“É como se Fernando tivesse sido morto outra vez”) diante da confissão de Bolsonaro (“Ele não vai querer saber a verdade”) de que encobre crimes da Ditadura Militar. Toda minha solidariedade, e luta, para família Santa Cruz.

Impeachment?

Sim, impeachment! O Bolsonaro, ao tratar da execução Fernando Santa Cruz, não se limita a ataca as emoções e posições políticas de Felipe Santa Cruz, Bolsonaro ataca a emoção de várias famílias e de um povo que já disse NÃO para ditadura militar. Bolsonaro confessa que, no exercício do mandato, encobre os crimes da ditadura. Além deste crime, ele ainda reitera o apoio a tortura, afrontando diretamente a Constituição e o Estado Democrático de Direito, isso sim é CRIME DE RESPONSABILIDADE. Não é a primeira vez que ele ataca a Constituição em seus princípios, o ataque aos nordestinos foi um ato de xenofobia e um ataque contra a Federação.

Adianta Debater ou Somos Estátuas?

Sim, não só adianta como é necessário debater, não podemos cair na tese do caos implantada por eles, as pessoas, por mais que estejam em “estados alterados da mente”, não são estátuas em suas posições sobre a realidade. Da semana passada para cá conversei mais intensamente com várias pessoas que votaram em Bolsonaro, afirmo, sem medo de errar, que a maioria já não mais apoia Bolsonaro, falam: do filho embaixador; das declarações de que não existir mais fome; dos ataques ao Nordeste; da perseguição aos jornalistas; do ataque a aposentadoria do povo; dos cortes e agora das OS na educação; da ampliação do desemprego; da entrega da soberania nacional (visto para EUA sem contra partida para o Brasil, Base de Alcântara, venda do nosso patrimônio…); do não reconhecimento do assassinato de indígenas; de como ele instiga violência contra os povos tradicionais; dos cargos para família da esposa, do recorde em ;decretos, dos ataques aos conselhos de direitos; da redução do poder de compra do salário mínimo; dos milhões em emendas para deputados aprovarem a deforma da previdência; da ameaça iminente de demissão de servidores; da desordem causada até nas propostas sobre trânsito; na vinculação de sua família com a corrupção e com as milícias; do desmonte das leis trabalhistas; de manter Moro após os escândalos revelados pela vaza jato… Vou parar aqui para seguir com nossas reflexões, do contrário o texto não tem fim.

Resumindo, as pessoas estão sentindo na pele o desgoverno de Bolsonaro. Fosse qualquer outro governo, já teria caído, mas parte do Parlamento barganha com a crise, tenta atender as demandas do mercado ao buscar aprovar a deforma da previdência e outras pautas de interesse pessoal ou coletivo de certos deputados e senadores. Mas para o azar desses parlamentares, o Bolsonaro acha que poderá governar, ou se sustentar, com o mesmo método que o fez ganhar as eleições (com horas de exposição na TV; fake news; e controle de dados pessoais, como nos EUA), aí abre a boca e diz o que pensa para causar o caos.

A diferença é que agora: a “bolha” foi furada e as ações do Bolsonaro (diferente da campanha) possuem efeitos práticos em nossas vidas; as pessoas estão mais vigilantes nas informações; as denúncias do The Intercept descortinaram a parcialidade da lava jato e as criminosas relações e ações de Moro e Dellagnol na Justiça e Ministério Público Federal.

Tod@s Abandonaram Bolsonaro?

Não, claro que não! Existem as pessoas que pensam como Bolsonaro em sua postura violenta, preconceituosa, entreguista e de desmonte dos direitos sociais. Alguns defendem as medidas de Bolsonaro mesmo impactando negativamente em seus empregos e na vida de suas famílias.

Acredito que ainda existem aqueles e aquelas que foram com muita sede ao pote, defenderam o indefensável. Aqueles que, sem argumento algum, repetiam a ladainha de “a culta é do PT”, “Lula tá preso, babaca”, “Bolsonaro diz isso porque é eleição, na hora não vai fazer”, “vai acabar a mamata”, “ele vai acabar com essa pouca vergonha de homem ficar se agarrando”, “vai acabar a doutrinação”, “absurdo a mamadeira de piroca”.

Para alguns não será fácil fazer o caminho de volta, seja pela arrogância, seja pela vergonha ao saber que: Moro mentiu; a mamadeira de piroca nunca existiu; Bolsonaro segue defendendo a tortura e perseguindo opositores e jornalistas; a homofobia virou crime; a mamata segue nos cartões corporativos e no nepotismo; Bolsonaro tenta acabar com a educação pública (não com a doutrinação).

Esperemos, muitos outros/as vão abandonar Bolsonaro, menos aqueles que se beneficiam da mamata e quem tem os mesmos princípios fascistas de Bolsonaro, os demais acordarão.

Adoecer ou Reagir?

Claro, sabemos que as pessoas não escolhem adoecer. Mas também sabemos que eles sabem que é possível agir para deixar as pessoas doentes. Façamos com disse a Deputada Luíza Erundina (PSOL-SP), lutemos contra a tentação do desânimo.

Façamos como na luta contra o Assédio Moral e a Violência Sexual, rompamos o Silêncio, não guardemos em nossos corações. Transformemos nossas angustias e dores em tratamento, em denúncia, em luta! Se alguém tem que adoecer são os algozes do povo, aqueles e aquelas que descumprem as leis, que rasgam a Constituição e o Estado Democrático de Direito.

Eles não Respeitam as Leis, o Que Fazer?

Eles rasgaram nossa Constituição, partiram para o vale tudo, foi assim na lava jato e é assim agora com Bolsonaro desfazendo a Constituição por decreto ou atacando frontalmente o Estado Democrático de Direito, em um claro Crime de Responsabilidade. O Parlamento finge não perceber e toca a aprovação das propostas antipovo defendida por Bolsonaro e pelo Mercado. Eles não cumprem a constituição e instalam o ódio na sociedade, a violência amplia a cada declaração de Bolsonaro.

Enquanto eles descumprem as leis e atropelam o povo, nós ficaremos só olhando ou protegeremos nossa Constituição e o Estado Democrático de Direito? Precisamos fazer mais do que fizemos na época de Fernando Henrique Cardoso, aquele que Moro não quis melindrar. Precisaremos mais que grandes atos saindo de uma praça para outra. Não podemos deixar Bolsonaro, seus parlamentares e ministros dormirem.

Fora Bolsonaro!

 

Por Tárcio Teixeira – Presidente Estadual do PSOL/PB

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Arte: César Nóbrega fala sobre a ameaça de fechamento do Centro Cultural do BNB em Sousa

Banco do Nordeste teve um lucro de mais de 725 milhões, em 2018, “acabar com os centros é uma decisão política”

No último dia 26 de junho, a notícia do fechamento dos Centros Culturais do Banco do Nordeste (CCBNB) surpreendeu à população nordestina e interiorana, que se beneficia desses instrumentos de popularização da cultura brasileira.  O anúncio impactou as três unidades do CCBNB, em Fortaleza, Juazeiro do Norte e Sousa (PB), e provocou reação da população.

Aqui na Paraíba, o Centro Cultural do Banco do Nordeste foi inaugurado em 25 de junho de 2007, durante governo Lula. O Governo Bolsonaro anunciou um corte considerável no orçamento do Centro de Sousa, que passou de R$ 100 mil/mês para R$ 30 mil/mês. Em seguida, surgiu o anúncio de suspensão de atividades a partir de julho para “ajustes” de agosto a dezembro. Para entender melhor essa situação de corte para à cultura, anunciada pelo governo federal, fomos entrevistar César Nóbrega, ativista cultural da Cidade de Sousa e um dos precursores na criação do Centro Cultural na cidade. Confira!

César Nóbrega, ativista cultural em Sousa (PB).

BdF – PB – Como surgiu o Centro Cultural do BNB de Sousa?

César Nóbrega – O Centro Cultural surge da ideia do ex-presidente do BNB, Roberto Smith, na época do governo Lula. Aqui em Sousa, o Banco do Nordeste funcionava em um prédio de primeiro andar e na época do governo Color, ele vendeu esse espaço e o reduziu apenas a parte térrea e vendeu o primeiro andar à Prefeitura. Quando assumiu o governo Lula, já existia o Centro Cultural, em Fortaleza, e ele quis expandir os centros culturais no Nordeste, principalmente nas cidades médias e pequenas. Em 2003, o ex-presidente, Roberto Smith, disse que queria criar o Centro Cultural em Sousa e tratou de negociar com a Prefeitura a retomada do prédio para o BNB. Em 2007, ele foi entregue e assim foi criado o Centro Cultural do BNB em Sousa. Doze anos se passaram e o Centro Cultural é importante para toda a região. É um centro de cultura para toda essa região. Sousa tem 70 mil habitantes, Cajazeiras tem entre 65 e 68 mil habitantes, tem outras cidades próximas, eu acho que ele atende mais de 200 mil habitantes aqui nessa grande região de Sousa. É um centro onde temos uma grande biblioteca, teatro de multiuso, onde funciona cinema, palco para apresentação de peça teatral, debates. Temos biblioteca virtual, temos uma grande sala de exposição, uma biblioteca com mais de 40 mil livros. Já foram apresentadas mais de 6.700 atividades entre teatro, música, lançamentos de livros, apresentação de exposição. É uma referência, é instrumento que liberta, é um instrumento que leva a formação do cidadão, é um instrumento de cidadania.

Como a população utiliza esse espaço?

O Centro Cultural é muito bem frequentado, toda apresentação é gratuita e ele é frequentado, justamente, pela camada média e pobre da população, que não tem condições de pagar em qualquer espaço para assistir qualquer apresentação, então é um espaço democrático, libertador, porque lá você pode ter acesso à biblioteca, acesso a teatro, aos cursos que são oferecidos, seja na parte de teatro, cinema, digital, além dos empréstimos de livros, então a população tem acesso a essa casa de cultura, o seu fechamento é uma perda para a futura geração e como um instrumento de cidadania.

Por que Bolsonaro quer fechar os centros culturais? O que isso significa?

É bom deixar claro que essa medida de diminuição da programação ao seu fechamento, ela vai além de decisão burocrática, ou de diretoria de banco, é uma decisão política-ideológica, é uma decisão de um presidente da República, de um governo que não interessa a ele que o povo se liberte, que o povo construa uma visão de mundo, uma visão crítica, então aquilo que leva a uma libertação do povo e conscientização, não interessa a esse governo. Já temos conhecimento de que depois vem Caixa e outros espaços de cultura, achando que esse não é o papel de um banco, então essa medida casa com a decisão de um governo fascista, neoliberal do Bolsonaro. O Banco do Nordeste teve um lucro fabuloso em 2018, com mais de 725 milhões, então não é uma questão orçamentária ou em razão em virtude de diminuição de despesa, é uma decisão política ideológica.

Qual foi a reação da população local, diante da notícia do fechamento do Centro?

A reação é de surpresa e indignação. Surpresa por alguns e indignação daqueles que tem a clareza de que é uma medida cruel, fascista, ditatorial e desrespeitosa à população. Estamos reagindo, mobilizando a população, dizendo para ela a importância e significado desse centro e que a gente não pode permitir que ele venha a fechar. Estamos mobilizando não só a sociedade, mas estamos chamando e convocando os deputados em nível estadual, vereadores, prefeitos, deputados federais para que possa vestir essa camisa de luta e de resistência pelo não fechamento.

Quais as providências vocês estão tomando?

A providência é de mobilização, é de resistência, é de luta, estamos tanto atuando na mobilização, chamando o povo para enfrentar, para estar frequentando o espaço, para estar ocupando o espaço, como também é de pressão e de resistência junto ao setor político, aos deputados, ao governo do estado da Paraíba. Estamos atuando em conjunto com o Ceara, já que temos um centro e o Ceará tem dois, um em Juazeiro e outro em Fortaleza e o caminho é esse, de muita resistência e de ação.

Por Heloisa de Sousa – BdF

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‘Democracia, Estado de Direito e Soberania Nacional’

Ex- governador da Paraíba, Ricardo Coutinho, estreia como articulista do Brasil de Fato – PB

Para que se possa compreender a crise de longa duração que alcança o Brasil, e cujo epicentro está localizado na política, é preciso tomar uma certa distância da conjuntura para entender o contexto mais geral no qual ela se processa, muitas vezes a partir de iniciativas de agentes que não disputam o jogo devidamente caracterizados, ou mesmo de forma transparente. Nesse sentido, é preciso considerar inicialmente que existem instâncias de poder que são “invisíveis” no tabuleiro político, porque se camuflam como agentes extra-políticos, ao atuarem para incidir de forma direta nas agendas e prioridades dos Estados-Nação, em todo o planeta.

Inscrevem-se nessa categoria, as grandes companhias transnacionais e o sistema financeiro nacional e internacional que, fazendo pressão por uma vasta pauta liberalizante e globalizante, interferem de forma decisiva em todas as iniciativas que tenham por primado o desenvolvimento soberano. São instrumentos privilegiados para seus fins um enorme poder midiático, que atravessa os veículos tradicionais, mas que tem como lugar de destino privilegiado a comunicação digital. É particularmente aqui que os destinos de países e projetos políticos vêm sendo jogados, em total assimetria de meios e recursos.

Em todos os casos relevantes, são denominadores comuns: a possibilidade material, financeira, tecnológica, psicossocial, de incidir sobre o processo de formação da opinião pública, por meio da ação do poder econômico concentrado e da manipulação dos afetos. Os procedimentos são relativamente constantes, e envolvem o uso de bancos de dados imensos, propiciados pelas redes sociais, para entregar mensagens microssegmentadas, tendo por meta explorar os ressentimentos, as inseguranças; produzir vagas de descontentamento que, invariavelmente beneficiam justamente o projeto político dos que financiam essas iniciativas de “marketing”.

Golpe nas Democracias

É sobretudo a democracia representativa que se vê golpeada violentamente por essa tecnologia social e política, uma vez que preponderam os interesses dos que têm poder econômico e midiático para enviesar a opinião pública, rompendo-se desse com o que é essencial a esse regime político, ou seja, a ideia basilar de que a cada eleitor corresponde apenas um voto – note-se que com essas práticas regredimos a um regime de voto censitário. Os resultados desse modo abjeto de fazer política são evidentes na América Latina, continente que foi “reorientado” para a direita, desfazendo-se os governos de inclinação popular-democrática que foram hegemônicos até um passado recentemente.

Muitos argumentarão que foi a corrupção que varreu o continente da centro-esquerda, mas essa avaliação é frágil, especialmente porque abundam as evidências de que têm havido vários vícios ao longo dos processos, seja na produção de provas, na isenção das magistraturas, ou ainda por meio das pressões exercidas via redes sociais, com o objetivo de produzir resultado específicos no âmbito judiciário.

Há, contudo, um modo efetivo de visibilizar o que está implicado com o jacobinismo legal a que temos assistido no Brasil. Tomemos sua máquina processante, a partir dos principais resultados econômicos a que deu causa: destruição de empresas nacionais competitivas e privadas nas áreas de serviços complexos de engenharia, construção, exploração de petróleo e gás, química fina. Alijamento da Petrobrás da condição de player mundial, em um segmento absolutamente estratégico como energia. Ainda mais, dinamitado o centro dinâmico da economia nacional, o país se vê às portas da depressão, com desemprego galopante, perda da renda assalariada, empobrecimento que se dirige novamente à miserabilidade que havíamos superado.

A destruição da Soberania Nacional Brasileira

Pergunta que não quer calar: por que no Brasil, diferentemente da experiência mundial, as empresas foram punidas, preservando-se por meio do instituto da delação premiada, seus executivos e principais acionistas? Simplesmente porque o alvo do jacobinismo – assentado em uma parte do judiciário, e que toma também porção do parlamento nacional – sempre foi a transferência, em grande escala, da propriedade de ativos estratégicos nacionais, para os centros mundiais de poder. Fatos recentes, por sinal, desnudam esse caráter.

A grande lição política, portanto: não existe soberania onde fraquejam o estado de direito, o devido processo legal e as regras com as quais se participa do jogo democrático. Como é comum, o veneno aponta para o antídoto. A tarefa prioritária das forças progressistas consiste, exatamente, em recompor esses fundamentos, sem os quais o povo não tem qualquer chance contra os interesses da ordem internacional, em benefício da qual parte de nossa elite costuma prestar os serviços torpes da capatazia.

 

Ricardo Vieira Coutinho – * Ex- governador da Paraíba

Brasil de Fato | João Pessoa (PB)