Reportagem Especial: 100 anos do rádio – preservação do acervo e reinvenção a partir da internet e das novas tecnologias

porpjbarreto

Reportagem Especial: 100 anos do rádio – preservação do acervo e reinvenção a partir da internet e das novas tecnologias

A Reportagem Especial sobre os 100 anos do rádio no Brasil termina hoje, com um breve panorama da preservação do rico acervo histórico das emissoras e a reinvenção do rádio a partir da internet e das novas tecnologias.

A história, a importância e o rico conteúdo do rádio estão disponíveis hoje em livros, no cinema, em blogs e em programas de variados veículos de comunicação. A preservação desse acervo é um trabalho árduo de apaixonados pelo rádio, como nos contou o jornalista Reynaldo Tavares. Ele condensou 25 anos de pesquisa no livro “Histórias que o rádio não contou”.

Reynaldo Tavares: “Não deixa de ser uma tarefa das mais excitantes, complexas e leoninas juntar fatos e fragmentos para recompor essa verdadeira usina de sonhos, que é o rádio.”

Muitos dos registros históricos que mostramos ao longo desta série de cinco matérias foram retirados do CD que acompanha o livro de Reynaldo Tavares. Infelizmente, Reynaldo nos deixou recentemente, em 2018.

Outra pesquisadora da memória do rádio é a jornalista Suzana Blass, que, durante alguns anos, cuidou do rico acervo sonoro da Rádio Jornal do Brasil AM, com 58 anos de história. Hoje, Suzana lamenta a perda de boa parte desse material durante o período em que o prédio do antigo JB ficou abandonado, no Rio de Janeiro.

Suzana Blass: “Eu informatizei o arquivo e aí a gente inseria todo o material que era produzido pela redação. A Rádio JB foi pioneira em ter uma equipe de jornalistas voltados para rádio. Na cultura do Rio de Janeiro, ela influenciou pra caramba, tanto com a programação musical quanto com a parte de conteúdo. Não é possível que isso tenha se destruído.”

O cineasta Estevão Ciavatta, por exemplo, chegou a usar o arquivo sonoro da Rádio JB para produzir o filme “Programa Casé”, que traz a trajetória de Ademar Casé, o pernambucano que deu ares profissionais e comerciais ao rádio brasileiro ainda na década de 1930. Estevão passou por uma verdadeira “via-crúcis” durante a pesquisa para o filme.

Estevão Ciavatta: “Para mim, foi muito difícil encontrar material para falar dos anos 30, uma época em que não sei se já costumava gravar programas de rádio. Eu fiz o filme inteiro sem ter nenhuma irradiação do Programa Casé. O que eu consegui foi fazer uma pesquisa enorme nesses arquivos – da Rádio MEC, da Rádio JB e do Museu da Imagem e do Som – e ter depoimentos de pessoas que falavam do programa e dessa época do rádio.”

A internet, que chegou a ser anunciada como o tiro de misericórdia na vida do rádio, tem sido, na verdade, um dos elementos de vitalidade para o veículo. As próprias emissoras já mantêm na internet uma pequena parte de seus acervos. É o caso, por exemplo, da carioca Rádio Tupi.

Rádio Tupi: “Orquestras e grandes cantores animaram os mais importantes programas musicais. Vicente Celestino, Dorival Caymmi, Elizeth Cardoso, Orquestra Tabajara, Dalva de Oliveira, Nat King Cole estão entre as centenas de vozes inesquecíveis que fizeram a história musical da Tupi.”

É também por meio da internet e das redes sociais que o rádio tem se reinventado, antenado com as novas tecnologias, novas linguagens e novas formas de comunicação mais interativas. A Rádio Câmara, por exemplo, está no Facebook, no Twitter, no Youtube; pode ser ouvida no podcast, no celular, no computador… E, que legal, o conteúdo das emissoras também continua sendo ouvido no velho e bom radinho de pilha, fazendo companhia a quem vive nos rincões do Brasil ou a quem ainda prefere a comunicação à moda antiga.

[MÚSICA: Pela internet]

Um ano antes de morrer, em 1978, o radialista paulista Vicente Leporace gravou este depoimento para deixar bem claro que o rádio é imortal e pode conviver muito bem ao lado de outros veículos de comunicação. Cada um na sua.

Vicente Leporace: “Quando apareceu a televisão, o rádio ia sumir. A televisão, aqui em São Paulo, apareceu em 1950, portanto, nós estamos trabalhando juntos há 27 anos. Então, não se espante não. Daqui a mais ou menos 50 anos, quando se falar do primeiro centenário do rádio, eles vão dizer: ´o rádio foi ameaçado pela televisão e os dois continuam concomitantemente, trabalhando cada um na sua esfera. Evoluindo o rádio, evoluindo a televisão, eles vão continuar dando o recado da mesma forma concisa e objetiva que vem ocorrendo hoje.”

A profecia de Leporace estava certíssima. A primeira emissora do Brasil – Rádio Clube de Pernambuco – surgiu há 100 anos, em abril de 1919. Mesmo centenário, o rádio continuará sendo, e ainda por muito tempo, o veículo de comunicação mais acessível à população e presente em todos os rincões do país.

Seu conteúdo chega agora aí na tua casa, no teu trabalho, te distrai, te mantém informado, te acompanha e até interage contigo em todos os momentos. Ao resgatar uma microscópica parte da imensa “memória do rádio”, nesta série de reportagem, a gente quis reafirmar o vigor e a vitalidade das ondas do rádio.

Termina aqui a série especial da Rádio Câmara sobre os 100 anos do rádio no Brasil.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Aprigio Nogueira
Agência Rádio Câmara

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