Cerca de 44% dos alunos que ingressam em áreas de engenharia da Universidade Federal do Ceará não terminam curso

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Cerca de 44% dos alunos que ingressam em áreas de engenharia da Universidade Federal do Ceará não terminam curso

Alto índice de desistência aponta necessidade de modernização no ensino de engenharia

No Brasil, a cada 175 alunos que ingressam nos cursos superiores de engenharia, apenas 95 concluem. De acordo com o Censo da Educação Superior, no estado do Ceará, 7.792 mil alunos ingressaram em cursos de engenharia em 2017. Em contrapartida, 7.491 desistiram da graduação e trocaram de curso, trancaram a matrícula ou se desvincularam da universidade. No ano passado, o estado ofereceu mais de 12,2 mil vagas distribuídas entre cursos ofertados por instituições públicas e privadas nas áreas de engenharia, como engenharia civil, elétrica, mecânica, computação, química, engenharia de produção, materiais e automotiva.

Na Universidade Federal do Ceará (UFC), o cenário não é diferente. Segundo o especialista em engenharia química e professor do Centro de Tecnologia da universidade, Ivanildo José da Silva Júnior, a evasão dos cursos da área de engenharia foi de 44%, nos últimos cinco anos. O professor explica que a base curricular e o formato das aulas, pouco atrativas, têm desestimulado os estudantes, que acabam saindo da engenharia e migrando para outras áreas.

“O aluno quando entra na engenharia, nos dois primeiros anos, no primeiro ano, principalmente, não tem tanto contato com o curso, mas sim com as cadeiras que são comuns a todas as engenharias e, às vezes, isso o frustra.”

Para a diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), Gianna Sagazio, o alto índice de desistência nas áreas de engenharia mostra a fragilidade e a necessidade da modernização do ensino, que, segundo ela, ainda segue o modelo idealizado há mais de 30 anos.

“O mundo está mudando muito rapidamente e a gente precisa preparar os nossos profissionais, os nossos engenheiros, para enfrentar esses desafios que já estão colocados aqui. Se a gente não tiver engenheiros preparados para os impactos dessa revolução digital, a gente não vai conseguir ser um país competitivo e nem gerar qualidade de vida para a nossa população.”

A CNI encaminhou, aos candidatos à presidência da República, propostas para a atualização do currículo dos cursos de engenharia. A modernização das diretrizes curriculares e metodologias, aprimoramento do sistema de avaliação e a valorização do trabalho dos docentes estão entre as principais propostas da indústria para o Brasil crescer.

Reportagem: Aline Dias

 

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